A História do Locução
Esportiva.
Só mesmo no país do futebol é que
o gol no rádio poderia ter outro som. A narração
de uma partida pelos locutores brasileiros é singular.
Jogando com o imaginário do fanático torcedor,
o locutor cria um lance mais bonito do que a realidade.
É uma descrição sempre emocionante,
precisa e rica em detalhes. O narrador brasileiro, advogado
criminalista e jornalista de São Paulo, Joseval
Peixoto, conta sua experiência em partidas no exterior:
"A gente grita sem se preocupar com quem está
em volta". É um espetáculo à
parte para a platéia do primeiro mundo, habituada
a uma narração mais informativa e menos
empolgante.
Quem começou tudo isso foi Nicolau Tuma, que fez
a primeira transmissão de um jogo de futebol do
rádio brasileiro, em 20 de fevereiro de 1932. A
emoção na hora do gol sempre respondeu ao
grito que vinha das arquibancadas. O futebol é
a grande paixão nacional do Brasil, tanto que,
em 1938, o compositor Ari Barroso, autor de Aquarela do
Brasil, naquela época também locutor esportivo,
inventou uma forma de destacar o gol na sua narração,
para não ser abafado pelos torcedores. O jornalista
Sérgio Cabral conta no livro No Tempo de Ari Barroso
que sua descoberta saiu de uma loja de brinquedos, onde
Ari buscava algo que tivesse um som infantil. Seu encanto
foi uma gaitinha, que soprava na hora do gol, com mais
intensidade se fosse do Flamengo, seu time do coração.
Naquele mesmo ano, 1932, o rádio brasileiro transmitiu
pela primeira vez um campeonato mundial de futebol: a
Copa do Mundo da França. Serviços de alto-falantes
foram instalados nas praças de centenas de municípios
brasileiros, para que a população pudesse
acompanhar as partidas através da narração
de Gagliano Neto. De lá para cá, o rádio
revelou seguidas gerações de locutores,
na sua maioria formados no interior do país. Do
estilo mais descritivo de Jorge Cury, Edson Leite, Oduvaldo
Cozzi e Rebelo Júnior - o homem do gol inconfundível
- ao ritmo alucinante de Pedro Luiz, Geraldo José
de Almeida, Waldir Amaral, Joseval Peixoto, Fiori Giglioti,
Osmar Santos e José Silvério. Estes nomes
desfilaram pelo dial do rádio brasileiro ao longo
das últimas cinco décadas, despertando paixões
nos ouvintes como se fossem os próprios ídolos
do futebol.
Para se manter bem informado sobre futebol no Brasil,
o torcedor sabe que o veículo que melhor cobre,
difunde e promove este esporte é o rádio.
No Rio de Janeiro, as Rádios Nacional, Globo e
Tupi. Em São Paulo, a Bandeirantes, a Jovem Pan
- antiga Panamericana - e a Record. Em Belo Horizonte,
a Rádio Itatiaia. Em Porto Alegre, as Rádios
Farroupilha, Gaúcha e Guaíba. Em Recife,
a Rádio Jornal do Commercio. E, em Curitiba, a
Clube Paranaense. Estas emissoras registraram sua marca
na história do rádio esportivo brasileiro.
Mas nem só de futebol viveu o rádio do Brasil
nos últimos anos. A cobertura do automobilismo
brasileiro de Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton
Senna teve espaço cativo nas principais estações
do país. O maior sucesso nas transmissões
da Fórmula-1, sem dúvida, foi alcançado
pela Rádio Jovem Pan durante os anos 70. As corridas
eram narradas por Wilson Fittipaldi, o "Barão",
pai do piloto Emerson Fittipaldi, que conquistou seu primeiro
campeonato em 72. No Grande Prêmio da Itália,
que decidiu o título daquele ano, Wilson Fittipaldi
não conteve a emoção com a vitória
do filho, entregando o microfone ao comentarista Orlando
Duarte para o final da transmissão.
Anos 20
Em 2 de novembro de 1922, surge a primeira emissora comercial
no planeta, a WEAF, de Nova York.
No Brasil, a primeira estação de rádio
foi instalada no Rio de Janeiro, com equipamentos fornecidos
pela americana Westinghouse. A inauguração
aconteceu no dia 7 de setembro de 1922, como parte das
comemorações do centenário da Independência.
Foram importados para o evento 80 receptores, através
dos quais alguns representantes da sociedade carioca puderam
ouvir o discurso do então presidente Epitácio
Pessoa. Óperas deram seqüência às
transmissões, que no entanto foram interrompida
por um período por não haver um projeto
de programação contínua.
É importante dizer que antes dessa primeira transmissão,
a oficial, alguns amadores já haviam feitos suas
próprias experiências. Assim, para muitos
o nascimento do rádio no Brasil se deu na inauguração
da Rádio Clube Pernambuco, quando Oscar Moreira
Pinto fez suas primeiras transmissões com um equipamento
trazido da França, no dia 6 de abril de 1919, em
Recife.
Em 1923, é feita a primeira transmissão
de rádio em cadeia no mundo, envolvendo a WEAF
e a WNAC, de Boston. Neste mesmo ano, surge a primeira
emissora brasileira: A Sociedade Rádio do Rio de
Janeiro, fundada por Roquette Pinto, o pioneiro do rádio
no Brasil. Para ele a rádio deveria Ter como função
principal a educação. E foi com essa característica
educativa que a rádio se manteve durante anos.
Em sua programação eram dadas as cotações
das bolsas de açúcar e café, além
da previsão do tempo e de números musicais.
Principalmente no início da rádio, a maior
parte da programação dedicava-se a música
erudita. Em 30 de novembro é criada a Sociedade
Rádio Educadora Paulista - Pra-E.
É em 1925 que tem início a programação
esportiva no rádio brasileiro, com a rádio
Educadora de São Paulo. Numa tarde de Domingo de
abril desse ano, a rádio transmitiu os resultados
dos jogos de futebol da "capital, interior e estrangeiro".
Nesse período as transmissões não
eram feitas diretamente dos estádios de futebol.
Enviados das rádios aos jogos mandavam telegramas
contendo os resultados das partidas. Com esse material
em mãos, os locutores passavam as notícias
aos ouvintes.
Durante toda a década de 20 acontece uma verdadeira
"febre radiofônica" pelo Brasil. Ainda
não era um fenômeno de comunicação
de massa, mas já ia conquistando o espaço
que faria do rádio parte da história brasileira.
Como a publicidade ainda era proibida, as emissoras costumavam
ser projetos que eram pagos por mensalidades de seus sócios.
Daí as rádios serem sempre chamadas de clubes
ou sociedades. Algumas dessas rádios que foram
surgindo:
1923 - Rádio Clube Paranaense (PR)
Rádio Educadora Paulista (SP)
1924 - Rádio Sociedade Maranhense (MA)
Rádio Clube do Ceará (CE)
Rádio Sociedade Riograndense (RS)
Rádio Sociedade da Bahia (BA)
1925 - Rádio Pelotense (RS)
1926 - Rádio Educadora do Brasil (RJ)
Rádio Clube do Brasil (RJ)
1927 - Rádio Sociedade Gaúcha (RS)
Rádio Cruzeiro do Sul (SP)
Rádio Sociedade Mineira (MG)
Rádio Mayrink Veiga (RJ)
1928 - Rádio Clube do Pará (PA)
Anos 30
Nos anos 30, havia 29 emissoras brasileiras que transmitiam
basicamente ópera, música e textos instrutivos.
1931
Nicolau Tuma, o Speaker Metralhadora.
- Eu estou aqui no reservado da imprensa, contemplando
as arquibancadas. Estou ao lado das gerais e vou tentar
transmitir para vocês que me ouvem um relato fiel
do que irá acontecer no campo".
Assim, no dia 19 de julho o jovem locutor Nicolau Tuma
realiza a primeira transmissão ao vivo de um jogo
de futebol diretamente do campo. Os jogadores não
possuíam numeração, não havia
comentarista, repórter de campo ou comerciais,
o que obrigava o narrador a falar sem parar, sem tempo
para descansar. Num jogo digno da importância histórica
que teve, a seleção paulista venceu a paranaense
por 6X4. Já nessa primeira narração
Nicolau Tuma estabeleceu padrões que ainda são
utilizados.
De maneira quase instintiva, ele levou o público
ouvinte a fazer imagens mentais que permitissem ter a
noção de saber tudo o que acontecia em campo.
Para tanto, Tuma dá algumas dicas ao ouvinte. Pede
que pensem em uma caixa de fósforos e começa
a dar referências sobre o espaço, explicando
que do lado direito estão os paulistas e do esquerdo,
os paranaenses. No segundo tempo, invertem-se as posições.
Nicolau Tuma não gritava durante um longo período
quando era marcado um gol. Na opinião dele, o ouvinte
queria logo saber quem tinha feito o gol e quais eram
os detalhes da jogada. Seu modelo de narração
prevaleceu durante anos.
Durante uma prova de automobilismo no circuito da Gávea,
em 1934, Tuma colocou vários "informantes"
ao longo do circuito que transmitiam a ele por telefone
o que de mais importante estivesse acontecendo na corrida.
Eram os primeiros repórteres de nosso rádio
esportivo.
Nesse ano nasce a pioneira PRB 9 - Rádio Record
de São Paulo.
1932
Getúlio Vargas autoriza a publicidade veiculada
em rádio, criando o conceito da audiência
e possibilitando o desenvolvimento de uma rádio
mais comercial. Surge aquele que pode ser considerado
o primeiro jingle brasileiro. O compositor e cartunista
Antonio Nássara improvisa um fado para fazer a
propaganda de uma padaria no Rio de Janeiro. Cantou: --
Seu padeiro não esqueça, tenha sempre na
lembrança: o melhor pão é o da Padaria
Bragança.
1934
É criada a Rádio Difusora em 1934 apelidada
de "Som de Cristal". De lá, surgiu o
termo radialista, inventado por Nicolau Tuma.
1935
Assis Chateaubriand inaugura em 25 de setembro a PRG-3,
Rádio Tupi do Rio de Janeiro, a Cacique do Ar.
Chateaubriand foi o pioneiro na formação
da primeira rede nacional de comunicações
no Brasil: Os Diários Associados e Emissoras Associadas.
- Alô, alô Brasil! Aqui fala a Rádio
Nacional do Rio de Janeiro! Com esta frase, surgia a PRE-8,
que foi adquirida por apenas 50 contos de réis
da Rádio Philips, no 12 de setembro de 1936.
1936
Na Rádio Cruzeiro do Sul, Ary Barroso começa
sua carreira de narrador esportivo, que o consagrou como
o Speaker da Gaitinha. Isso porque por diversas vezes
o locutor era obrigado a transmitir os jogos da arquibancada.
A barulheira feita pela torcida no momento do gol acabava
por encobrir a voz do narrador. Criativo, Ary Barroso
soprava uma gaita no momento do gol, superando em altura
o barulho feito pela torcida. Tornou-se a marca registrada
dessa figura que, entre outras coisas, deu à nossa
cultura músicas como No tabuleiro da baiana e Aquarela
do Brasil. Flamenguista fanático, tocava com uma
vontade muito maior sua gaita quando o gol era do time
rubro-negro. Em um campeonato Sul-Americano, o locutor
e compositor chegou a desmaiar no meio da transmissão.
1938
A Copa da França marca um dos principais momentos
da história do rádio esportivo do Brasil.
No dia 5 de junho, na partida entre Brasil e Polônia,
vencida pela nossa seleção por 6X5, realizava-se
a primeira transmissão esportiva em cadeia nacional
diretamente da Europa. O locutor paulista Leonardo Gagliano
Neto, titular do Departamento de Esportes da PRA-3, Rádio
Clube do Brasil do Rio de Janeiro, foi o autor da façanha.
Único locutor sul-americano na França,
as narrações de Gagliano fizeram o Brasil
parar para ouvir a campanha de Leônidas da Silva
e companhia na campanha que levou o Brasil ao terceiro
lugar no mundial. O povo vibrava em poder acompanhar lance
a lance o que acontecia do outro lado do Oceano Atlântico.
Reunia-se no Largo do Paissandu, em São Paulo,
na Galeria Cruzeiro, no Rio de Janeiro e em outros lugares
em que as emissoras colocavam alto-falantes para o público.
Bares, restaurantes, casas, ou qualquer lugar que tivesse
um rádio transformava-se num ponto de encontro
para que as pessoas se reunissem. Os fenômenos da
popularização do futebol e do rádio
caminhavam juntos e alimentavam um ao outro, criando uma
forte identidade cultural brasileira.
O mais brilhante jogador brasileiro no Mundial da França,
artilheiro da competição foi Leônidas
da Silva. Mas sua carreira
no esporte continuou depois de já ter "pendurado
as chuteiras". Quando parou de jogar futebol, o Diamante
Negro tornou-se um dos pioneiros de nosso rádio
esportivo, como comentarista de futebol da Rádio
Pan-americana, a Emissora dos Esportes.
No dia 30 de outubro, a rádio americana CBS apresentava
o programa A Guerra dos Mundos, com Orson Welles. Naquela
edição ele simulava uma invasão de
marcianos aos Estados Unidos. O realismo era tamanho que
uma onda de pânico tomou conta do País, quando
o locutor anunciava:
- Atenção senhoras e senhores ouvintes...
os marcianos estão invadindo a Terra...
Rádio Cruzeiro do Sul, em 1936, Ary Barroso começa
sua carreira de narrador esportivo, que o consagrou como
o speaker da gaitinha. Isso porque por diversas vezes
o locutor era obrigado a transmitir os jogos da arquibancada.
A barulheira feita pela torcida no momento do gol acabava
por encobrir a voz do narrador. Criativo, Ary Barroso
soprava uma gaita no momento do gol, superando em altura
o barulho feito pela torcida. Tornou-se a marca registrada
dessa figura que, entre outras coisas, deu à nossa
cultura músicas como "Canta Brasil" e
"Aquarela Brasileira".
Os locutores dessa época eram também torcedores
em campo. Eles raras vezes disfarçavam para que
time estavam torcendo, acirrando a rivalidade entre as
torcidas. Ari Barroso, flamenguista fanático, tocava
com uma vontade muito maior sua gaita quando o gol era
do time rubro-negro. Em um campeonato Sul-Americano, conta
Nicolau Tuma, o locutor e compositor chegou a desmaiar
no meio da transmissão e o narrador Gagliano Neto,
ao criticar a Argentina em plena Buenos Aires quase provoca
uma "guerra".
A Copa de 1938, realizada na França, marcou um
dos principais momentos da história do rádio
esportivo do Brasil. No dia 5 de junho, na partida entre
Brasil e Polônia, vencida pela nossa seleção
por 6X5, realizava-se a primeira transmissão esportiva
em cadeia nacional diretamente da Europa. O locutor paulista
Leonardo Gagliano Neto, titular do Departamento de Esportes
da PRA-3, Rádio Clube do Brasil do Rio de Janeiro,
foi o autor da façanha. Único locutor sul-americano
na França, as narrações de Gagliano
fizeram o Brasil parar para ouvir a campanha de Leônidas
da Silva e cia. na campanha que levou o Brasil ao terceiro
lugar. O povo vibrava em poder acompanhar lance a lance
o que acontecia do outro lado do Oceano Atlântico.
Reunia-se no Largo do Paissandu, em São Paulo,
na Galeria Cruzeiro, no Rio de Janeiro e em outros lugares
que as emissoras colocavam auto-falantes para o público.
Bares, restaurantes, casas, ou qualquer lugar que tivesse
um rádio transformava-se num ponto de encontro
para que as pessoas se reunissem. Os fenômenos da
popularização do futebol e do rádio
caminhavam juntos e alimentavam um ao outro, criando uma
forte identidade cultural brasileira.
O mais brilhante jogador brasileiro no Mundial da França,
artilheiro da competição, foi Leônidas
da Silva. Mas sua carreira no esporte continuou depois
de já Ter "pendurado as chuteiras". Quando
parou de jogar futebol, o "Diamante Negro" tornou-se
um dos pioneiros de nosso rádio esportivo, como
comentarista de futebol da Rádio Panamericana,
a "Emissora dos Esportes".
Anos 40
Estréia o primeiro jornal falado do rádio
brasileiro, o Grande Jornal Falado Tupi, de São
Paulo. Também nesse ano surge o programa No mundo
da bola, comandado por Antonio Cordeiro, que se tornou
bastante conhecido na época.
1941
A primeira rádio-novela do país é
transmitida. Ela durou cerca de três anos e se chamava
Em Busca da Felicidade, pelas ondas da PRE-8, Rádio
Nacional do RJ. Depois veio o grande sucesso, a novela
O Direito de Nascer.
Surge o noticioso mais importante do rádio brasileiro
chamado de Repórter Esso. Às 12h45min de
agosto, a voz de Romeu Fernandez anunciava o ataque de
aviões da Alemanha à Normandia, durante
a Segunda Guerra Mundial. O locutor mais famoso do programa
foi o gaúcho Heron Domingues,. Em São Paulo
a transmissão era feita pela Record PRB-9. A credibilidade
do noticiário era tão grande que o público
só acreditava nas notícias se confirmadas
pelo Repórter Esso.
O mais que consagrado grito de gol prolongado, que se
ouve hoje em todas as rádios do Brasil, teve sua
origem em meados da década de 40, criado por Rebello
Júnior. Seu "Goooooool!!!" foi primeiro
uma marca registrada do locutor, que depois se difundiu
para a transmissão de jogos de futebol entre todos
os narradores. Mas Rebello Júnior ficou conhecido
como "o homem do gol inconfundível".
A disputa por audiência era grande e os locutores
precisavam se esforçar para se destacarem uns dos
outros. O uso de expressões como "pimba"
para definir o chute a gol e "balançou o réu
da noiva", para o momento do gol marcaram a carreira
de Raul Longras, que se tornou famoso pelo uso delas.
Mas o pioneirismo do uso de expressões desse tipo
talvez seja de Ailton Flores, o "Canarinho",
da Rádio Cruzeiro do Sul do Rio de Janeiro, ainda
que ele não tenha sido reconhecido por elas como
foi Raul Longras. A década foi muito fértil
no campo do rádio esportivo.
É nesse período que surgem locutores como
Jorge Curi, Luiz Mendes, Waldir Amaral, Pedro Luiz, Geraldo
José de Almeida e Fiori Gigliotti.
1948
Estréia o programa de maior êxito da Rádio
Nacional, o "Balança mas não cai",
com os famosos "primo pobre e primo rico", vividos
por Brandão Filho e Paulo Gracindo.
Raul Brunini, na Rádio Tupi desde 1941, se tornaria
o primeiro brasileiro a comentar os Jogos Olímpicos
no rádio brasileiro.
1949
No dia 1º de abril, o locutor esportivo Geraldo José
de Almeida, da Rádio Record, irradia um jogo inteirinho
do São Paulo, que contava com Leônidas e
Bauer e estava excursionando pela Europa. Final da partida
e um resultado que chocou os torcedores: o São
Paulo havia perdido por 7 X 0. Só no dia seguinte
a Rádio Record anuncia que tudo não passou
de uma farsa. Era uma pegadinha do dia da mentira.
Anos 50
No mundo das comunicações, a década
de 50 é marcada pelo aparecimento da televisão,
que se torna a principal concorrência do rádio,
obrigando-o a se transformar para se adaptar ás
novas condições.
Nesse período ocorre uma migração
do rádio para a televisão, não só
de profissionais como do estilo de programação.
Assim, programas de auditório e novelas começam
a ocupar a programação televisiva. Com o
espaço deixado e o crescente interesse do público,
a programaço esportiva vai ganhando terreno
dentro da rádio.
Um belo exemplo da função que o rádio
adquiriu nesse período lê-se em um artigo
escrito pelo cantor e compositor Chico Buarque, para o
jornal O Estado de S. Paulo, a respeito de como foi ouvir
a Copa de 50 pelo rádio. Na época da Copa,
Chico Buarque tinha 6 anos de idade. Segundo ele a emoão
vinha do "Maracanã, recém concluído,
o maior estádio do mundo,(...) a primeira maior
coisa do mundo que faziam no Brasil, e a molecada enchia
a boca para falar ÔMaracanãÕ"...".
A verdadeira Copa, para quem morava em São Paulo,
chegava pelas ondas da Rádio Panamericana. Mais
que o locutor, era o eco do Maracanã quem narrava
o jogo. O estádio fazia ÔóóóóóóóóóóóÕ,
e era jogada de efeito. Fazia Ôúúúúúú"Õ,
bola raspando a trave. Fazia "hhhhhhhhhhhhhhhh",
Brasil de novo no ataque. Gol, e o Maracanã explodia,
e a gente cantava touradas de Madri pulando na cama. No
dia em que perdemos a Taça para o Uruguai, claro
que desliguei o rádio e taquei a culpa no Maracanã".
Nessa época aparece o repórter de rua,
que até então era desconhecido do público
brasileiro. Um dos primeiros a fazer esse tipo de reportagem
foi Tico-Tico, que ficou conhecido por garantir ao público
não só a credibilidade da informação,
como também uma boa dose de entretenimento, devido
a seu talento, que unia inteligência e bom-humor.
Fez escola.
1955 As rádios já existentes começam
a ganhar um novo concorrente dentro do próprio
rádio. Nesse ano é feita a primeira transmissão
experimental de rádio FM, pela Rádio Imprensa,
do Rio de Janeiro. A responsável pelo feito foi
a empresária Anna Khoury, fundadora da Rádio
Eldorado. Nessa ocasião as transmissões
se restringiram s instalações da própria
emissora, funcionando mais ou menos como uma linha telefônica
interna. Esse foi o primeiro passo das rádios FM,
que foram conquistando o público cada vez mais,
a ponto de hoje em dia ameaçar o futuro das rádios
AM.
O conceito de rádio pirata nasceu na Inglaterra
no final desta década. Algumas emissoras foram
montadas e transmitiam a partir de barcos ancorados na
costa inglesa para burlar a legislação.
Uma das emissoras mais emblemáticas dessa época
foi a Rádio Caroline, criada para combater o monopólio
da estatal BBC e veicular o emergente rock'n roll. Na
Itália, esse tipo de rádio se adequa a um
outro perfil, mais politizado e é nesse país
que nasce o conceito de rádio livre. Faziam muito
jornalismo, veiculavam programas de debates. Eram vinculadas
a grupos de base, minorias e marginalizados.
Anos 60
No Rio de Janeiro a figura de um comentarista de futebol
de rádio se tornou popularissima. Washington Rodrigues,
o Apolinho, entrou para o jornalismo de maneira acidental.
Por ser jogador de salão profissional, foi chamado
por uma rádio para explicar as regras do jogo para
a equipe esportiva. Mas ninguém se interessou muito
pelo futebol de salão, um esporte amador. Por não
estar podendo jogar época, devida a uma
fratura na perna, Apolinho acabou sendo convidado para
fazer o programa. Começava assim, na Rádio
Guanabara, sua brilhante carreira. Seu envolvimento com
o futebol era tão grande e sua figura tão
popular que Apolinho chegou a comandar o time de maior
torcida do pa's. Em 1995, foi técnico de seu clube
de coração, o Flamengo.
Anos 70
Um símbolo dessas novas vozes que surgiram foi
Osmar Santos. Com seu jeito descontraído e uma
narração recheada de expressões que
acabaram caindo no gosto popular, o "garotinho"
Osmar Santos se transformou no grande locutor de sua época.
Expressões como "ripa na chulipa" e "pimba
na gorduchinha" ou "bota sal na água"
começaram a ser repetidos nos estádios e
nas peladas pelo Brasil. O "pai da matéria",
como também era conhecido teve uma passagem marcante
pela Jovem Pan, onde trabalhou de 72 à 79. Mais
tarde foi para a Globo, onde continuou sua trajetória
de grande sucesso, chegando inclusive a fazer várias
aparições na televisão, popularizando
ainda mais sua carismática figura.
Um grave acidente automobilístico ocorrido em
94 afastou Osmar Santos das locuções
Anos 80
Outro nome que ainda hoje marca profundamente as locuções
esportivas no Brasil é o de José Silvério.
Para seus inúmeros fãs, ele é o "melhor
locutor de futebol do mundo".
Exagero ou não, Silvério é mesmo
uma referência para grande parte dos profissionais
de rádio. O mineiro de Itumirim iniciou sua carreira
nas mesas de futebol de botão. Enquanto jogava,
"transmitia" o jogo para os "ouvintes".
Um dia, enquanto "irradiava" uma partida, foi
ouvido pelo diretor da Rádio Cultura de Lavras.
Imediatamente foi convidado para trabalhar na rádio,
oportunidade que agarrou e que iniciou oficialmente sua
vida nos microfones. Teve uma brilhante e duradoura passagem
pela Jovem Pan, iniciada com a saída de Osmar Santos
da rádio, dando oportunidade para Silvério
se consagrar nos anos 80. Hoje "solta sua voz"
na Rádio Bandeirantes.
Ano 2000
O rádio entra no novo milênio provando que
tem o seu lugar garantido no coração do
torcedor. Seguindo a tendência iniciada no final
da década de 90, o futebol invade algumas das estações
mais populares em seus horários nobres, com grande
resposta do público, inclusive as FM.
Não por acaso, a rádio Transamérica
FM é uma das únicas emissoras brasileiras
que pagaram a licença de transmissão da
Copa do Mundo direto do Japão e da Coréia,
reunindo-se a Rádio Globo e a Rádio Bandeirantes.
Estas emissoras e suas equipes no Oriente garantem que
a paixão brasileira em colar o ouvido no radinho
não acabará tão cedo. Certamente
outras rádios também transmitirão
os jogos da Copa do Mundo, mas provavelmente com menos
infra-estrutura do que as que conseguiram o credenciamento
devido.
A Internet deu um novo fôlego para o rádio.
A maioria delas possui sua própria página,
onde é possível que o ouvinte-internauta,
além de curtir seu som, pesquise sobre a história
da rádio, participe de promoções,
além de comprar os CD's de seus artistas preferidos.
É a demonstração que, sem perder
o romantismo, as emissoras de rádio estão
se adaptando e se preparando para os novos tempos.
A Copa de 2002 é uma ótima oportunidade
para comprovar essa realidade.
Fonte: http://www.locutor.info/Biblioteca/HistoriaLocucaoEsportiva.doc