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Rádio AM digital, uma revolução
Ouvir programas de rádio AM com a melhor qualidade
digital era até aqui um sonho distante. Era, porque,
a partir desta semana, com a divulgação dos
padrões mundiais para a radiodifusão digital,
esse sonho começa a transformar-se em realidade.
A nova era da radiodifusaõ começa não
apenas nas transmissões de AM em ondas médias,
mas também as quase esquecidas ondas curtas e longas.
A primeira grande vantagem desse salto tecnológico
é dar às transmissões de rádio
AM uma qualidade de som muito próxima às do
rádio FM, ou seja, em frequência modulada,
cujo espectro utilizável (de 88 a 108 MHz) está
praticamente congestionado em quase todo o mundo.
Tudo leva a crer que o padrão digital torne-se popular
nos próximos anos e que seja adotado em todo o mundo.
A indústria eletrônica é a primeira
grande beneficiada, pois deverá substituir progressivamente
os 2,5 bilhões de receptores existentes no mundo
hoje, sem falar nos transmissores AM digitais que serão
necessários.
Para os ouvintes, além da melhoria na qualidade
do som, o novo rádio AM digital permitirá
a prestação de novos serviços que beneficiarão
o público. Uma dessas novas aplicações
será a transmissão de dados em baixa velocidade
pelas emissoras de rádio. Outra será a transmissão
de programas bilingües, muito vantajoso em locais como
o Canadá, onde predominam duas línguas oficiais,
o francês e o inglês.
Os receptores AM digital poderão também receber
dados, textos e até imagens fixas. Com o salto digital,
o rádio estará também cada dia mais
integrado com o celular e com a Internet. Será possível
receber mensagens em áudio personalizadas como os
e.mails. Serão os e-radiomails. Teremos novos tipos
de serviços de previsaõ do tempo, permanentemente
atualizadas em cada receptor. Também haverão
informações automáticas sobre o trânsito
nas grandes cidades. O conceito rádio digital passa
agora a tornar-se muito mais claro e com perspectivas muito
mais animadoras.
Num horizonte mais distante, poderemos dispor até
de transmissões mundiais via satélite em AM
digital, para receptores em aparelhos tão pequenos
quanto os relógios de pulso, ou mesmo os celulares.
Esta revolução no meio rádio está
acontecendo. O DRM, consórcio formado por fabricantes
e pelas maiores emissoras do mundo, busca desenvolvimento
de um padrão não-proprietário de rádio
AM digital para ser utilizado livremente em todo o planeta.
Mais infomações no site da UIT http://www.itu.int
ou por email: magenta@rai.it
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - 26/11/00 Matéria
de Ethevaldo Siqueira
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