Os narradores também eram reservas


O jogo marcou a estréia de Vânder Luiz, da Jovem Pan, e Ulisses Costa, da Globo. Para alguns torcedores também foi a primeira vez

Não interessa se o campo está coalhado de Tiagos e Léos. É muito grande a emoção de narrar um Corinthians e Palmeiras por uma grande estação de rádio ou mesmo de assisti-lo na numerada superior, quando a lógica do pouco salário só permite, quase sempre, apenas uma geral. Os narradores Vânder Luiz, da Jovem Pan, e Ulisses Costa, da Globo, e os torcedores Pedro Evanílson, "corintiano até debaixo dágua" e Luís Francisco, "palmeirense até morrer", viveram essa nova experiência graças ao clássico dos desfalques e do ingresso unificado a dois reais.
"Para mim é como final de Copa de Mundo", diz Vânder Luis, narrando seu primeiro clássico pela Pan e o segundo da vida. "Quando trabalhava em Itu, fiz um clássico, mas esse é diferente. Não me importa se não há grandes jogadores em campo. Vou poder dizer que fiz "aquele clássico dos desfalques".

Luiz Franciso estranhou a ausência de José Silvério, o principal narrador da Pan, mas gostou de Vander Luís. Estranhou também ver o jogo da numerada superior. "É a minha primeira vez, isso aqui é lugar para bacanas, não dá para mim. A visão é melhor, quem sabe se eu arrumo um emprego melhor e posso voltar mais vezes."
Um emprego melhor fez Ulisses Costa trocar a Rádio Clube Paranaense pela Globo. Ele já narrou vários clássicos pela rádio do Paraná e tem certeza de que esse de ontem foi apenas o primeiro de muitos outros em sua vida.

"Sempre quero mais, e cada jogo que faço é um passo nesse caminho." Fiori Gigliotti conseguiu tudo com que os dois novos companheiros ainda sonham.
"Já fiz 43 finais e não posso mentir. "É triste ver um Corinthians e Palmeiras com estádio vazio. É difícil ter empolgação". Pedro Evanílson não se empolgou com as cativas. "Vim experimentar porque é barato, mas achei que tem pouca vibração. Vou voltar para a arquibancada".
O clássico foi diferente mesmo. O major Marinho, responsável pelo policiamento, sentiu-se como em dia de folga, em razão das poucas ocorrências. Reclamação, só de alguns corintianos, que compraram ingresso em bancas de jornal e tiveram de entrar no mesmo portão que os palmeirenses.

Como não havia separação no jogo de ontem, tudo se arrumou. Foi também um clássico que logo será esquecido, porque está pintando aí uma semifinal de Libertadores entre Corinthians e Palmeiras. Aí, Marinho terá problemas, Fiori Gigliotti terá emoção, os narradores titulares voltarão e os torcedores pobres voltarão a seus lugares.

Luís Augusto Símon