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O Rei da Informação
Há certos conceitos que, conforme a visão
de mundo de cada um, não teria razão de existir,
mesmo prevalecendo ao longo do tempo. Um deles insiste que
o rádio, com o surgimento da televisão, deixou
de ter a importância que tinha nas décadas
de quarenta, cinqüenta e sessenta. Os prognósticos
foram os mais pessimistas possíveis. De fato, o rádio
sofreu um grande abalo com o advento da televisão,
especialmente pelo abandono progressivo e constante do mercado
publicitário. Ele teve que procurar novos caminhos
de viabilização econômica para as suas
programações, abrir novos mercados que possibilitassem
a sua sobrevivência, enfim foi necessário recriar
o rádio.
O rádio deixou de ser broacasting, com shows, novelas,
programas de auditórios, sem nunca ter deixado de
lado a poesia, declamada por belas vozes. Ele foi obrigado
a se transformar, enfrentando percalços a partir
da ausência absoluta de critérios éticos
e estruturais no processo das concessões de emissoras
de rádio, outorgadas pelo governo a exemplo da barganha
política pra a aprovar os cinco anos de mandato do
presidente José Sarney.
Contrariando as previsões dos descrentes, o rpadio
vem cumprindo gloriosamente o seu destino e a sua vocação
real, mantendo ate os dias de hoje a soberania entre os
meios de comunicação de massa. As pesquisas
apontam que das cinco da manhã até as seis
da tarde predomina na preferência do público,
seja nas grandes metrópoles, por razões próprias,
ou seja nas cidades menores elas características
especídicas. Este quadro não se verifica somente
no Brasil, mas com maior ênfase ainda nos país
de Primeiro Mundo, onde as emissoras de rádio vêm
recuperando a participação no bolo publicitário,
ainda que muito aquém do desejado, principalmente
pelafalta de conhecimento do verdadeiro potencial do veículo.
Entretanto, a maior virtude deste meio de domjnicação
está na sua singular natureza sonorta. Rádio
é som e só. Ele trabalha com o imaginário
das pessoas, quantativamente através da música
e qualitativamente pela informação. A agilidade,
a velocidade, versatilidade, interatividade, abrangência
e essencialmente a constante companhia são algumas
das características que o diferencial dos outros,
sem discriminar ninguém.
A partir deste final de século, com a evolução
da informátrica na vida de todos os setores, as perprectivas
para o ´radio são altamente favoráveis,
ganhando novos e substanciais horizontes. Além dos
consogrados aparelhos repectores, sejam os portáteis,
domiciliares, no carro ou mesmo acoplado em diversos outros
produtos eletrodomésticos, também está
disponível na rede mundial de computadores. Hoje
as pessoas podem ouvir rádio acessando vários
sites das emissoras nacionais e estrangeiras pela Internet.
E vem mais por aí, o rádio digital. Como sistema
digitalizado, vai ser possível sintonizar mais de
uma centena de emissoras de todo do mundo em qualidade de
CD.
As modernas tecnologias estão definitivamente reatualizando
o rádio que nasce sob o estigma da interatividade,
baseada numa relação intimista entre emissor
e o receptor, fenômeno semelhante que se repete nos
dias de hoje na Internet. Mas duas questões nos parecem
fundamentais para serem refletidas. Uma delas é quanto
ao conteúdo s ser oferecido ao público, se
ouvinte ou internauta, qual o verdadeiro papel que devem
desempenhar na sociedade atual. Outra indagação
se refere a uma participação mais efetiva
do mercado publicitário, proporcional aa importância
desta mídia.
Partindo do conceito que rádio é a extensão
da voz de um lado e do ouvido de outro, cabe-lhe a função
básica de ser transmissor de informação
de efetivo de interesse público, instrumento indispensável
para o exercício da plena cidadania, através
do restabelecimento de sai dignidade econômica necessária
para manter a sua realização.
Jorge Cury
Diretor Executivo
Central de Radiojornalismo
Central de Podcast
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