| A Celulares usados atingem vendas
recordes.
Informação: Folha de São Paulo
- Dinheiro - 27/03/2008
Linhas de segunda mão já respondem
por 26% do total, aponta pesquisa; baixa renda sustenta
expansão
DA REPORTAGEM LOCAL
O mercado de celulares de segunda mão atingiu
um volume histórico. No ano passado, uma linha
em cada quatro foi adquirida de terceiros. É
o que revela uma pesquisa da LatinPanel, empresa que
monitora o perfil de consumo em 8.200 domicílios
do país.
Para esse levantamento, foram entrevistados 26 mil
brasileiros, que representam 80% da população
economicamente ativa e 91% do potencial de consumo
dos produtos e serviços da telefonia móvel.
De acordo com a pesquisa, o interior paulista e o
Rio Grande do Sul foram os que mais se destacaram.
Nessas regiões, as linhas de segunda mão
já rivalizam com os números vendidos
pelas lojas das operadoras, respondendo por 54% e
53%, respectivamente, do total.
Em seguida, aparece a área formada por Piauí,
Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba,
Pernambuco e Alagoas, com 34% de participação
nas vendas.
Estima-se que esse mercado não representava
nem 15% do total há quatro anos. "O que
explica esse fenômeno é a expansão
da renda das classes C, D e E", afirma Margareth
Utimura, diretora de atendimento e inovação
da LatinPanel.
Ainda segundo a pesquisa, 53% dos brasileiros das
classes D e E têm pelo menos uma linha de celular.
Em 2006, esse índice era de 39%. No mesmo período,
essa taxa na classe C saltou de 59% para 70%. "Foi
o maior crescimento, e ele é reflexo da oferta
de crédito no país", afirma Utimura.
"Além disso, esse grupo também
deixa de comprar bens não-duráveis para
comprar um celular."
Para ela, até o ano passado, o crescimento
do mercado de usados não chamava tanto a atenção
das operadoras porque as linhas eram revendidas e
continuavam ativas.
A partir do segundo semestre deste ano, as regras
devem ter alterações com a portabilidade,
que permitirá ao cliente mudar de operadora
preservando o número do telefone.
A Folha apurou que a Claro e a Oi planejam lançar
pacotes mais ajustados à baixa renda ao longo
deste ano. Segundo Eduardo Tude, presidente do Teleco,
serviço de informação em telecomunicações,
a Vivo -que hoje detém a liderança em
total de clientes- pode perder terreno, caso não
lance pacotes que caibam no bolso das classes C, D
e E.
"A Claro e a Oi estão à frente
no segmento de baixa renda, mas a Vivo está
se mexendo", diz. "Ao decidir adotar o GSM,
ela criou condições para entrar nesse
mercado, e acredito que ajustará sua oferta."
Desafios
Apesar de o crescimento da renda das classes C, D
e E forçar as operadoras a inseri-las em sua
estratégia de negócio, os analistas
ainda não sabem se esse segmento trará
o retorno desejado.
Segundo a LatinPanel, a receita média mensal
dos clientes pós-pagos cresceu 15%, passando
de R$ 64,38 para R$ 68,31. Nesse grupo estão
praticamente os clientes das classes A e B.
Entre os clientes que utilizam o pré-pago,
basicamente das classes C, D e E, essa média
passou de R$ 13,34 para R$ 11,60, uma queda de 13%,
nos últimos dois anos.
Considerando a base total de clientes, o gasto médio
mensal passou de R$ 20 para R$ 18, uma baixa de 11%
no período considerado.
Apesar dos desafios impostos às operadoras,
elas poderão faturar com o volume de novos
clientes, mesmo que o gasto médio seja baixo.
Ainda segundo a LatinPanel, 10% dos que não
têm celular dizem que vão adquirir sua
primeira linha nos próximos seis meses. É
um time formado por 46 milhões de futuros consumidores.
(JULIO WIZIACK).
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