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Rádio
e internet, um casamento possível
A internet veio alterar completamente os sistemas
de produção e a própria recepção
dos meios de comunicação de massa desde
que foi criada, na década de 90. Os jornais
foram os primeiros a se adaptar ao novo veículo
e logo depois vieram as emissoras de rádio,
que passaram a utilizar a plataforma digital para,
primeiro, divulgar globalmente sua programação
e, depois, para transmitir em ao vivo e simultaneamente
aquilo que antes só era difundido pelo espectro.
Alguns
fatores, no entanto, colaboraram para a explosão
da webradio no último ano: a melhoria da qualidade
nas conexões dos servidores de internet e o
início da comercialização da
banda larga no país foram os mais importantes
deles no casamento rádio e internet.
E
os ciberouvintes têm bons motivos para se entusiasmar.
Segundo pesquisa do Ibope e-Ratings feita em julho
deste ano, cresceu 2,9% em relação ao
mês anterior e atingiu a marca de 7,8 milhões
de usuários ativos. A webradio vai a reboque.
Além disso, a demanda por internet em banda
larga que otimiza a transmissão e melhora
a qualidade do áudio também aumentou
significativamente nos últimos meses. A 12a
Pesquisa Internet POP, também do Ibope, sinaliza
que dos domicílios que já possuem acesso
a internet, 14% são por conexão rápida
e que outros 16% pretendem trocar de tecnologia nos
próximos seis meses.
A
rádio na internet guarda algumas particularidades
em relação à convencional. Se
o ouvinte perde a atenção na emissão
comum, não pode voltar a notícia ou
a música para ouvir novamente. É uma
característica do veículo. Na web, ainda
que a transmissão seja ao vivo, os sites costumam
guardar os arquivos de áudio para que os ouvintes
possam escutá-lo on demand, posteriormente.
O
apresentador do programa Vitrine, da TV Cultura, Marcelo
Tas, é conhecido por ser um entusiasta das
novas tecnologias. Transformou o programa em uma central
multimídia. É um profissional convergente.
E não poderia deixar de ser um animado ouvinte
de rádio na web. A vantagem é
a escolha, é ouvir rádios que eu nunca
ouviria por motivos geográficos, explica
Tas, mesmo as transmitidas em ondas curtas,
não tinham qualidade e só pegavam à
noite, lembra, e agora, com a internet,
eu ouço com qualidade digital, explica.
Quando
vão para a internet, as rádios ultrapassam
os limites também do veículo que são.
Podem ser jornalismo escrito, oferecer textos mais
completos e imagens da transmissão em movimento,
inclusive. Essa é a vantagem que fez com que
Marcelo Tas fosse um ouvinte de carteirinha da Radio
1, da BBC, de Londres. Neste caso, explica
Tas, há muito mais que áudio.
Em
geral, Marcelo Tas não vê muitos progressos
na utilização da internet pelas rádios
brasileiras, a não ser como ferramenta
de notícia, eu não vejo as rádios
utilizando a web para o ouvinte, critica Tas.
Se é para ouvir suas emissoras brasileiras
preferidas, Tas, o cibernauta, volta para o dial.
Se o site não me interessa, volto para
o radinho de pilha, brinca.
Novos
modelos - Quem pensa que uma redação
de radiojornalismo precisa, nestes tempos de web,
ser aquele modelo tradicional de sala-estúdio-antena-radinho
está equivocado. Em Curitiba, uma iniciativa
pioneira provou que rádio e internet podem
ser, definitivamente, bons parceiros na hora de divulgar
notícias. O radialista Jorge Cury sentia que
muitas emissoras, principalmente as do interior, deixavam
de cobrir alguns eventos ou editoriais porque não
tinham condições financeiras de enviar
correspondentes ou manter sucursais. Desse modo, Cury
procurou entidades públicas ou privadas que
tinham interesse em ser notícia em emissoras
de todo o Paraná ou em outros Estados que pudessem
contratar uma empresa para distribuir programas e
notas já em áudio para as pequenas rádios.
Nascia a Central de Radiojornalismo em 1996. Hoje,
Cury conta com clientes como Detran, Paraná
Previdência e OCEPAR. Todos os dias, a equipe
de sete jornalistas produz um programa de meia hora
e mais entrevistas longas em forma de bate-papo ou
notas de utilidade pública que são retransmitidas
por cerca de 100 rádios paranaenses e, esporadicamente,
outras 500 do Brasil todo. "A gente faz cobertura
desses clientes enquanto eles estiverem fornecendo
notícia de interesse público",
explica Cury. Nenhuma emissora paga pelo conteúdo
baixado da rede e a equipe de jornalismo é
subsidiada pelos próprios clientes.
"Antes,
tínhamos que fazer a transmissão do
áudio pelo telefone", conta Cury, "e
agora a internet trouxe agilidade, qualidade sonora,
visibilidade. Além do áudio, o site
tem informação de texto e possibilita
uma ampliação do serviço",
entusiasma-se Cury.
Guia
do Rádio na Internet
Entidades
ABERT - www.abert.org.br
AESP - www.aesp.org.br
SET - www.set.com.br
Agências
de notícias
Central de Radiojornalismo - www.radiojornalismo.com.br
Rádio
Digital
BBC Digital - www.bbc.co.uk/digitalradio
UK Digital Radio - www.ukdigitalradio.com
XM Radio - www.xmradio.com
IBiquity - www.ibiquity.com
Fonte: www.portalimprensa.com.br
REVISTA IMPRENSA - Edição Setembro/2002
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